a moda, que me vai matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus,
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.
Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.
A voz é dada, nesse poema, a um eu lírico feminino que já morreu. É do além
que essa mulher afirma já não se importar com as aparências.
Na segunda estrofe do poema, ela afirma já ter assumido diversas faces,
citando quatro figuras femininas da literatura para demonstrar essas faces. A primeira
delas é Margarida, personagem da obra
A Dama das Camélias
, de Alexandre Dumas
Filho. Ela era uma cortesã que, além de ter tuberculose, vivia dificuldades em relação a
sua vida amorosa. A segunda é Beatriz, de
A Divina Comédia,
de Dante Alighieri. Ela é
guia de Dante no Paraíso, refletindo a imagem da pureza, de uma mulher próxima da
santidade. A terceira mulher é Maria, maior símbolo da santidade e redenção femininas.
Se Eva foi a culpada pelo pecado original, Maria revela-se como aquela capaz de aliviar
o peso da culpa, ao mesmo tempo que se torna santa. A última figura feminina que
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